PORQUE NOS É DIFÍCIL VIVER NO MOMENTO?

PORQUE NOS É DIFÍCIL VIVER NO MOMENTO?

É mais do que apenas absorver os bons momentos.

PONTOS-CHAVE

– Estar presente no momento requer uma mistura perfeita de atenção (mindfulness) e desatenção (mindlessness).

– Estar presente no momento é intencional.

– Há passos que pode dar para melhorar a atenção plena/mindfulness e sentir-se mais presente.

– Estar presente em momentos agradáveis e mundanos é importante para a prática de mindfulness.

Depois das festas, é fácil sentir-se como se o tempo tivesse voado antes de ter a oportunidade de parar e saborear tudo. Pode atribuí-lo a uma enorme carga de trabalho, que dominou as suas férias ou uma pilha incrível de elementos stressantes que lhe roubaram qualquer hipótese de se sentir verdadeiramente presente para as festividades. Estar presente é algo que é mais fácil de dizer do que fazer, independentemente da sua disponibilidade ou nível de stress.

Então porque é que algo que parece tão fácil de fazer, é tão difícil?
Não é suposto que viver no momento aconteça de forma orgânica? A verdade é que, nem por isso.

Sentir-se presente no dia a dia, é algo que muitos considerariam sinónimo de estar atento/mindful. Wherever you, There you Are, um livro de Jon Kabat-Zinn, define a atenção plena/mindfulness, como “prestar atenção de uma forma particular: com intenção, no momento presente, e sem julgamento”. Esta definição de atenção plena é amplamente utilizada na pesquisa científica, e destaca exatamente o que torna tão difícil estar presente. Estar presente requer um reconhecimento intencional, mas não forçado, do momento presente, pelo que ele é, não pelo que desejamos que seja ou pelo que pensamos que pode ser. E, muito francamente, esse é um equilíbrio difícil de atingir.

Há inúmeras razões pelas quais esta mistura perfeita de mindfulness e mindlessness é tão difícil de encontrar, mas talvez possa identificar-se com pelo menos uma destas razões:

– Não estamos habituados a abrandar/desacelerar e a permitir que a nossa mente faça um break na produtividade ou nos nossos planos;

– Deixamos as coisas pequenas serem maiores do que são e permitimos que consumam mais energia mental do que a que merecem;

– Antecipamos o fim de um momento “bom” e deixamos que essa antecipação interfira na nossa apreciação do momento presente.

Controlar/gerir as emoções que levam a qualquer uma ou a todas as razões citadas acima, é onde entra a parte de sermos Mindful. Ao contrário da crença popular, ser propositadamente consciente/mindful, não equivale a limpar a nossa agenda ou fazer apenas as coisas de que gostamos; de facto, um estudo concluiu que o aumento do stress pode de facto estimular o sermos Mindful, devido ao nível de consciência que os eventos stressantes exigem (Nezlek et al., 2016).

Pelo contrário, estar propositadamente presente não é uma questão de procurar o momento perfeito para apreciar o momento actual, tal como num momento de lazer ou em férias, mas antes o de procurar os tempos imperfeitos e reconhecê-los da mesma forma. É preciso praticar, mas qualquer bom hábito, requer prática.

“Existem muitas maneiras para o ajudar a sentir-se mais presente através de práticas que estimulam a atenção plena/mindfulness. A investigação científica provou que atividades como a meditação, escrever um diário, o exercício ou conversar com um psicólogo, podem ajudá-lo a sentir-se mais consciente/mindful e a aprender a sentir-se presente no momento (Xia et al., 2019), independentemente de este ser excitante ou banal.”

O facto desagradável que todos nós nos apercebemos, à medida que envelhecemos, é que grande parte da vida – talvez mesmo a sua maior parte – é tomada por rotinas do dia a dia e por responsabilidades limitantes. Todos os dias, somos confrontados com momentos que preferimos não viver, e os bons que surgem, são tão escassos, que desejamos poder agarrar-nos a eles e a mantê-los por mais tempo do que o possível.

Assim, em vez de deixar a sua prática de mindfulness “enferrujar”/na gaveta, enquanto aguarda pelo “momento ideal”, tente ver cada momento como uma oportunidade de estar presente na sua vida.

Esperar para viver o momento até que o timing pareça perfeito, pode ser a razão de deixar passar esses “momentos perfeitos”. Estar presente não é suposto ser a recompensa que chega, ao fim de uma semana agitada ou quando as responsabilidades da vida se desvanecem miraculosamente por um dia.

Estar presente é o resultado da escolha de um estado de espírito consciente, mesmo quando nos apetece enterrar a cabeça na areia. É a escolha diária de olharmos à nossa volta e tornar a nossa existência uma existência com propósito, seja qual for a forma que possa assumir.

Fonte; Psychology Today